quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 0 comentários

Com ética contribui-se com zelo, com a irresponsabilidade retorna-se a indiferença.

(C) Tetra Images

O trabalho continua a aumentar e não sobra só para mim. Estamos com menos pessoal e a empresa exclui a possibilidade de recrutar mais funcionários. A situação mantém-se tensa, até porque não há o mínimo de motivação pela parte da entidade patronal. Conhecendo alguns casos de empregadores íntegros que obtêm o máximo desempenho dos seus colaboradores, está comprovada a eficácia do que deve ser um bom departamento de recursos humanos. Aqui, rege-se ao contrário, e por ignorância ou não, cego é aquele que acredita atingir desta forma o sucesso. Será que ainda não aprenderam nada acerca das ditaduras? História sempre foi uma disciplina educativa.

De momento, a política opressiva da empresa encaixa bem em todas as opções de como desmotivar o trabalhador. A motivação não se subentende somente pela questão financeira. Por vezes o tratamento, a comunicação para com o subordinado e sobretudo as questões éticas fazem a diferença. Sem estas, reservo-me no direito de desempenhar as minhas funções normalmente, fazendo apenas o suficiente. Poderia ser melhor, mas o reconhecimento é sempre o mesmo. 

Delegaram-me uma tarefa, mas como é habitual omitiram propositadamente informações essenciais à execução da mesma, porque entendem que o funcionário não é digno de saber tanto quanto as chefias. Querem a tarefa concluída e é já! Quando pedia um certo esclarecimento, no meu entender pertinente, ouvi a expressão «quero isso feito, não quero saber!». Ouvir isto do nosso superior é do mais incompetente e irresponsável do que se possa imaginar. Um chefe que o diga a primeira vez, sujeita-se a ouvir a resposta «se o senhor não quer saber, então eu muito menos», uma versão mais suave da original «se você não quer saber, então vá à merda, que também eu me estou nas tintas se isto é feito ou não». Contrariada e sustenta, fiquei-me pela primeira e do outro lado apenas se ouviu um silêncio intrigante. Voltou-me as costas e fechou-se furiosamente no gabinete.
domingo, 15 de janeiro de 2012 0 comentários

O escroto…Como disse?

                                                                                   ( C) Fotosearch Premium
As funções que me foram delegadas não necessitam de supervisão constante. Por vezes basta uma orientação aqui, uma aprovação ali para que tudo siga como previsto. Dado que a tarefa que tinha em mãos, demoraria 2 dias a concluir, pedi alguma intervenção divina, no sentido de manter as outras chefias que não me tinham delegado nada, a uma distância considerável, durante os dois míseros dias. A intervenção divina não quer nada comigo. As chefias apercebem-se que existe uma mula que só leva a carga de um boi.

Estava eu embrenhada na minha tarefa, quando um dos meus superiores me interrompeu, com o intuito de me delegar uma tarefa. Chamemos-lhe tarefa da treta. Uma colega precisava de ajuda e não havia mais ninguém disponível. Verbalizei, um “com certeza”, mas na minha cabeça flutuavam outras respostas. Aquele homem, extremamente magro, encontrava-se do outro lado da minha secretária. Aquela figura desengonçada, enfiada num fato que conheceu melhores dias, muito provavelmente antes de sair da loja, aguardava, impacientemente, a minha atenção. Afastei os papéis, olhei-o nos olhos, e sorri, com o sorriso amarelo mais lindo que consegui. Colocou uns documentos à minha frente, e iniciou a explicação da tarefa da treta. 

Estava eu a tentar acompanhar o que me dizia, dado que disparava as palavras a uma velocidade alucinante, ao mesmo tempo que também tentava acompanhar a sua linguagem corporal, particularmente, as mãos. Aquelas mãos compridas, com dedos muito finos, gesticulavam sem nexo… quando sem aviso prévio, uma das suas mãos se encaminha para o escroto! Enquanto a tarefa da treta, continua a ser explicada verbalmente, o escroto, é, suponho eu, coçado. Não sabia onde colocar o olhar, dado que a ação principal, decorria mesmo diante dos meus olhos. Passado alguns segundos (mais pareceram horas), A mão abandona o escroto com sucesso, mas eu não. Tentava a muito custo ouvir a sua explicação, mas tal era impossível. O que é isto? Será que ele percebeu o que fez? Será que percebeu que eu percebi?

 - Percebeu? Hum? 

- Como disse? 

- Percebeu? - Disse levantando um pouco mais a voz. 

- Percebi, sim senhor! - Respondi, mas duvido que estivéssemos a falar do mesmo.
 
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