quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 0 comentários

Ida forense ao WC das senhoras

(C) 101dalmatians

Por vezes quando vou à casa de banho das senhoras no escritório, lembro-me das casas de banho públicas dos centros comerciais. Requer uma certa perícia, além de que é rara a ida em que não tenha que exercer uma certa ginástica. Se imaginarmos o esforço que é necessário desde o acto de puxar o autoclismo com o pé, fazer pontaria para o alvo enquanto seguramos a mala com uma mão e a outra desvia a roupa do caminho, é uma autêntica aventura.

Depois há o lado visual. Entramos dentro do cubículo e assim que nos vamos aproximando da sanita deparamo-nos com uma autêntica auto-estrada para o inferno. Que catano, será assim tão difícil usar um piaçaba? 

Já nem menciono a fragrância malcheirosa resultante das dezenas de pessoas que a frequentam, pois para além dos pormenores de higiene todos sabemos qual é.

No escritório as casas de banho têm um aspecto mais caseiro mas sem zona de duche e são utilizadas sempre pelas mesmas pessoas. Mesmo assim, fico surpreendida com o que lá encontro.

A Ofélia já conhecida pela sua etiqueta, faz as suas idas de prestígio à casa de banho. Ela dá-nos água pelo balcão do lavatório inteiro, ela deixa-nos papel usado no chão, as toalhas de papel nem sempre as acerta no caixote do lixo e o mais importante, o tiro ao alvo que apesar de grande, falha redondamente.

Solto um enorme - mas que nojo!

Começo a murmurar todos os palavrões e breijeirices que me passam pela cabeça e quando abandono o local empestado, deixo um aviso de alerta à colega seguinte.

A Ofélia ouvindo o sucedido, suspira com um ar de reprovação e tenta incriminar uma colega que não se apercebe do que se está a passar.

Mas eu não tenho qualquer dúvida, perante as provas deixadas no local do crime, esta é a sua assinatura. Ó céus, que não seja eu novamente a sua próxima vítima!
domingo, 12 de fevereiro de 2012 0 comentários

URGENTE ou urgente?



Assim que cheguei a casa, dirigi-me ao computador, tinha uma pesquisa de extrema importância para efetuar. Liguei o Google e digitei “Triagem de Manchester”. Eis que aparecem demasiados resultados para analisar no tempo que tenho disponível. Escolho um atalho. As imagens. Para esclarecerem esta dúvida chegam perfeitamente. Não estou a tentar escrever uma tese de mestrado sobre a Triagem de Manchester. Quero apenas esclarecer uma duvidazinha. Uma duvidazinha, muito pequenina, que foi semeada por uma colega esta tarde.

O Sistema de Triagem de Manchester utiliza um protocolo clínico que permite classificar a gravidade da situação de cada doente que recorre ao Serviço de Urgência permitindo atender, em primeiro lugar, os doentes mais graves e não, necessariamente, quem chega primeiro.

VERMELHO: situação emergente; LARANJA: situação muito urgente; AMARELO: situação urgente; VERDE: situação pouco urgente; AZUL: situação não urgente.

Não, a explicação não está aqui. A minha duvidazinha persiste. Uma das definições de urgente é «que indica necessidade imediata ou pressa». Sim, esta parte está relacionada com o que tentei transmitir esta tarde à minha colega. Entre as tarefas que tinha, obrigatoriamente, que lhe delegar, tentei indicar-lhe as que necessitavam de ação imediata. Fui indicando “urgente” no final de cada tarefa que exigia conclusão no próprio dia, a meio da jornada, devo ter pressionado o caps-lock inadvertidamente, pelo que a última tarefa, passou a URGENTE. Coloquei tudo num e-mail, enviei para a colega, e senti aquele alívio de dever cumprido. No dia seguinte, começam a chover telefonemas de clientes descontentes. Não queria acreditar. Tinha feito tudo o que estava ao meu alcance. Ligo à minha colega, para tentar perceber o que tinha acontecido. A explicação era afinal muito simples. A culpa afinal era toda minha. De todas as tarefas que assinalei no dia anterior, apenas uma era URGENTE. As outras eram apenas urgentes.

Fica a sabedoria popular para quem a quiser apanhar. URGENTE e urgente são palavras homógrafas. Possuem a mesma grafia, mas um significado distinto. 


*** Nota: Este texto é da autoria da Il Giro, no entanto devido a falha técnica foi publicado por mim.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 0 comentários

Cesta de maçãs

(C) Steve Allen

Um dos factores condicionantes no local de trabalho é o ambiente em que se vive entre os colegas. Sem dúvida, o melhor cenário que alguma vez poderia desejar seria aquele em que pudesse trabalhar com pessoas harmoniosas e inspiradoras, que independentemente da sua hierarquia tornassem a orgânica do trabalho mais estimulante. E isso não implica estarmos constantemente em sintonia, mas sentir por exemplo, naqueles dias mais complicados que só apetece fazer voar os berbicachos pela janela, haver alguém que nos dê o tal empurrãozinho.

Habitualmente para existir o termo conflito, basta haver duas pessoas a trabalharem juntas. E por vezes nem tanto! Alguns colegas nem para eles próprios sãos bons.

Um dos casos é a Ofélia, um espécime humano não muito raro, possuído por um espírito agressivo de anelídeo, termo mais conhecido por sanguessuga, que se alimenta de tudo o que é negativo ao seu redor. É uma mulher repleta de problemas, a maioria criados por ela, a tresandar pessimismo por toda a parte, cuja figura vai desvanecendo na fraca personalidade e atitude derrotista. Se lhe lançasse um feitiço para lhe arrancar toda a amargura do corpo, esta sugadora tornar-se-ia muda para sempre, sem a capacidade de dialogar para com as pessoas. 

Infelizmente, não me é possível silenciar a sua presença, e como se não bastasse, ainda temos que levar com a sua mania da etiqueta social.

A Ofélia faz parte da cesta de maçãs podres da empresa e se não nos acautelarmos, mais cedo ou mais tarde contaminará as restantes.

Prazer em desconhecê-la!

 
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