segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Se a guerra viajasse entre e-mails, certamente pouparíamos mais árvores

(C) Tim Robberts

Rapidamente dirijo-me à casa de banho. Não que tenha realmente urgência em utilizá-la, mas preciso de um momento. Um momento de reflexão, ou melhor, de consciencialização. Chegou a hora de “meter” a minha personalidade no saco e vestir o fato de guerreira. Olho-me no espelho a jeito de despedida, e vejo o meu reflexo a proferir um “força miúda” e a piscar-me um olho. Enlouqueci, penso, e saio da casa de banho com um sorriso estampado nos lábios.
Ligo o computador, o meu olhar desvia-se imediatamente para o relógio, no canto inferior direito do monitor. Nove horas em ponto. A imagem de uma ampulheta gigantesca atravessa-me o pensamento. São oito horas de areia. Oito horas de gritos, de total ausência de bom senso e de atitudes que teimam em beirar o ridículo. Antes de mergulhar no trabalho, faço um último apelo à padroeira da EDP. Dá-nos descanso, só hoje. Nada. Continua tudo na mesma.
Abro o meu correio electrónico, e lá estão vinte e três lindas, e decerto maravilhosas, mensagens por ler, algumas das quais enviadas durante o fim-de-semana. Não preciso sequer de ver quem as remete. É óbvio. O Costinha não tem vida própria.

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